Congresso HN 2012


ENCONTRO HUMANIDADE NOVA 2012 – REGIÃO DE SÃO PAULO

Nos dias 29 e 30 de setembro, realizamos, na Mariápolis Ginetta, o nosso
encontro de Humanidade Nova, com cerca de 180 participantes. Em um dia e meio,
pudemos dar um passo novo em relação a essa realidade da Obra. Desde a
preparação, havia o desejo de que fosse um encontro construído por todos, em que o
diálogo constante pudesse permear cada reflexão, cada relato de experiência, cada
aprofundamento que fazíamos. Também nos causou uma alegria muito grande ter a
participação do Pe Pedro e dos gen-re na tarde do sábado.

Desde o café-acolhida no salão, aos temas e reflexão na sala, intervalos, encontros por mundos, cada momento foi vivido e compartilhado com um grande Jesus em meio, que nos levou a contemplar HN sob uma nova perspectiva, com uma
visão crítica que era o tempo todo atualizada por aquela do Céu, pelo projeto que
Deus tem sobre a humanidade. O encontro foi apresentado, como serenidade e
competência, como alguns afirmaram, pela Renata, de São José dos Campos, e pelo
Daniel Fassa, de SP. Essa presença das gerações mais jovens foi, para muitos, sinal de
esperança, de que “a bandeira estava sendo passada”.
Na manhã de sábado, após esse momento de acolhida no refeitório, fomos
para o salão, onde o Vidal Nunes, empenhado de Humanidade Nova, aprofundou o
tema de Lucia Fronza, apresentado na escola de HN de janeiro, em que se delineia
quem é a “pessoa clareana”, expressão cunhada por Tommaso Sorgi, que emana do
carisma e que novo humanismo nasce a partir disso. Vidal pôde aprofundar algumas
questões relativas à atual crise por que passa o mundo, quais os desafios que se
apresentam e como HN pode responder a eles, e como nós, inseridos em nossas
comunidades, contribuímos para a transformação do mundo a partir do nosso agir no
espaço em que nos encontramos.
Após o intervalo, foram apresentadas três experiências. A primeira, do Gué, de
Botucatu, colocava em relevo a ação na vida pública, já que ele, há muitos anos vem
atual em políticas públicas em favor dos deficientes. Já o Luís Montanha, também de
Botucatu, colocou em relevo a sua experiência pessoal, já que, ele, que é enfermeiro,
às vésperas da aposentadoria, decidiu fazer um curso de mestrado, com todas as
dificuldades, para que pudesse amar mais concretamente seus pacientes e colegas.
Por último, Wilson Scremin apresentou a experiência de João Tadeu (a quem, de modo
especial, confiamos esse encontro), evidenciando a pessoa que foi (marido, pai,
empresário), que viveu plenamente e até o fim o Ideal, dando a vida pela humanidade.

O programa da tarde do dia 29 de setembro constituiu-se um dos momentos
mais marcantes do encontro. Realizou-se uma mesa redonda composta pelo Toni
Braga (professor de sociologia e antropologia da UNESP de Marília), pelo Vidal Nunes
(professor de filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo) e pela Tereza Raquel
(gestora de projetos do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas). Esse momento foi
mediado pela Adriana Rocha.


Toni Braga fez uma perspicaz reflexão sobre o relativismo pós-moderno,
perguntando-se se a solução para o problema seria um retorno nostálgico aos
absolutos da modernidade ou assunção da liquidez atual como uma oportunidade para
investir em autênticos relacionamentos trinitários.
Vidal Nunes retomou o “Novo Humanismo”, expresso pela “pessoa clareana”
que, na definição de Tommaso Sorgi, é justamente a pessoa que sabe viver a
relacionalidade amorosa (agápica) exemplificada pela trindade. Somente o homem
movido pelo Amor pode realizar o “novo humanismo” e transformar a sociedade.
Por fim, a Tereza Raquel realizou uma inteligente costura de seu discurso – de
caráter mais prático – com os de seus companheiros de mesa (de caráter mais teórico).
Ela demonstrou como, no âmbito da sociedade civil, a construção de autênticos
relacionamentos trinitários pode ser uma importante contribuição. Explicando os
mecanismos inerentes à realização de projetos sociais ela deu importantes pistas de
ação aos membros do movimento, seja na criação de novas iniciativas, seja na inserção
naquelas realizadas por outras organizações ou mesmo pelo poder público.

Após as exposições, iniciou-se um momento de diálogo. Eis alguns
questionamentos e reflexões.
Pe. Pedro Facci, que levou um grupo de seminaristas em formação para
participar deste momento, pediu detalhamentos sobre o que vem a ser a “pessoa
clareana”, ao que o professor Vidal respondeu: “É pessoa em (um ser humano integral
e completo), pessoa para (alguém que se doa ao outro), pessoa céu (aberto ao divino
e, por isso mesmo, ‘divinizado’)”.
Júlio, do Rio, acrescentou: é nosso dever provocar os outros, despertar o
potencial adormecido do amor.
Toni destacou a importância de se refletir sobre a especificidade da nossa ação
como HN. “Precisamos entender que, numa certa medida, somos uma contribuição
como todas as outras, senão perdemos a caridade. Mas por outro lado, com
humildade, não se esquecer do nosso específico para poder doá-lo. Nosso específico”,
afirmou, “são os relacionamentos. Aí devemos, sim, voltar o olhar ao carisma da
unidade. O que é fazer-se um? É permitir que o outro se encontre consigo mesmo,
porque fazemos um vazio tão grande, que ele consegue se encontrar. Isso é um
potencial que temos e que inserimos naquilo que fazemos. Quanto mais isso fica claro,
mais a nossa ação vai se discernindo. Temos que reconhecer que somos mais um, mas
que também temos uma contribuição especifica. Temos que acolher a diversidade e a
diferença (que não são sinônimos), porque isso nos faz entender quem somos”.
Fatima, de Nilópolis, refletiu sobre o seu agir na escola e o quanto as pessoas
a valorizam. Ela afirmou: “descobri que sou um profissional formado por Humanidade
Nova. Eu olho pra vocês e sei que vocês também fazem a diferença. Como universalizar
essa experiência. Como permitir que outros a façam? Como nos articularmos?”

Neki, de SP, também acrescentou: “cada um dos mundos – eu por exemplo
atuo na politica – pode dar a fraternidade, o modelo relacional trinitário, a comunhão,
a ética na politica. A única coisa que falta é uma liga, uma cola, porque cada mundo
tem uma riqueza muito grande. O caminho pode ser diferente, mas todos tem algo em
comum. Precisamos dialogar muito entre nós e também com os outros. Eu espero essa
sala lotada com gente de todas as áreas, um site, teses... E que cada um consiga se
articular nessa rede social”.
Paula, de SP, apontou um caminho: “meu chefe formou uma plataforma na
web para difundir uma mensagem: liderança sustentável, uma liderança baseada em
valores, ética, considerar a comunidade do entorno, etc. Essa plataforma divulga as
experiências positivas dos líderes. Poderíamos fazer isso também”.
A um certo momento, comentando a respeito da participação do jovem na
sociedade civil, Toni afirmou que o líder hoje, via de regra, é o jovem, porque faz a
ligação local-global. “Por que não fazer um congresso de HN com JPMU? Deveríamos
pensar numa sinergia muito maior com os jovens, porque temos muito a ganhar.
Muitas das angustias que temos como adultos se suprimiriam. O próximo congresso
deveria reconhecer esse protagonismo”.
Tereza Raquel acrescentou a necessidade de se estar em contato com outras
organizações, “porque o mundo tem muitas necessidades. A linguagem universal é
fundamental. Deve haver também um alinhamento conceitual dentro de HN” para que
possamos dialogar com o mundo.
Osvaldo, de Ribeirão Preto, refletiu: “o que vejo aqui é uma fotografia que eu
gostaria de guardar para o resto da minha vida. Gostaria que todos saíssem daqui com
a certeza de que fazem parte de uma rede. A ideia do JUNTOS é maravilhosa. O que
gostaria de propor pra mesa é que se crie o elo da Humanidade Nova testemunho vivo
(através de um blog etc).”
Lucila, de SP, compartilhou a sua experiência. “Trabalho com contabilidade.
Vim em crise. Ser homem céu na área financeira é muito difícil. O que fazer para
melhorar o ambiente de trabalho? Como criar ambiente de família? Existe muita
competição. Como HN pode lidar com esse mundo seco?”
Adriana Rocha, procurando responder ao questionamento de Lucila, disse
que “na nossa vida, não existem o longe e o perto. Acredito que essa experiência
individual transborda. O nosso desafio é levar a esses ambientes uma resposta. Essa é
a experiência de muitos de nós.”
Adenildo, um gen-re, questionou: “quais seriam as possíveis ajudas que
nós, religiosos, poderíamos dar? Poderiam nos dar pistas para darmos a nossa
contribuição?”
Vidal respondeu: “cada congregação tem o seu carisma. E a partir dessa
convivência, dessa troca... Eu também gostaria de descobrir como articular cada
carisma com o Ideal. Como nós poderíamos também nos articular com os religiosos?
Há congregações especializadas em educação, por exemplo. É uma troca que temos 
que começar de imediato.”
Toni complementou: “temos de lembrar que não deveríamos nos
angustiarmos, porque HN é a nossa vida até o fim. Às vezes, sentimos uma distância
entre aquilo que é tão rico pra nós e a realidade. Somos Humanidade Nova em
TODOS os momentos da nossa vida. No nosso trabalho, nos relacionamentos, gerar
o amor recíproco. Somos interpelados cotidianamente. A nossa identidade é essa.
Mas somos interpelados também a produzir ações. Temos que descobrir know-how,
temos de pensar, não ter medo de ousar, não ter medo de aprender com os outros.
A Fazenda da Esperança é uma das iniciativas mais importantes das últimas décadas
brasileiras. E ela começou de um relacionamento do Nelson. E com o tempo foi se
institucionalizando. Não devemos viver fora da realidade, mas assumir também
as situações de conflitos. Porém, não nos angustiemos com a distância entre essa
experiência tão rica feita no cotidiano e a realidade tão dura.
Por fim, Vagner, de São Paulo, lembrou: “precisamos usar as ferramentas que
temos. Cidade Nova oferece um ótimo instrumental. Leiamos os livros, tiremos a
revista do saquinho plástico.”

À noite, tivemos um momento de reflexão sobre a Arte, sobre Deus beleza, que
foi conduzido de forma sensível pela Míriam, de São José dos Campos. Desse modo,
pudemos contemplar a Arte em suas diferentes linguagens. Na literatura, por meio de
uma crônica de Rubem Alves. Nas artes plásticas, com a apresentação, em power
point, das Obras da Adriana Rocha. Assistimos também a um vídeo produzido para o
último encontro dos artistas, realizado também em setembro. Por fim, fomos
brindados com a maravilhosa apresentação da pianista cubana, Marianela.

Na manhã de domingo, começamos com a missa. Na homilia, Pe Pedro,
fazendo a ligação com as leituras do dia, disse que nós devíamos ser profetas, e que
deveríamos ser capazes de acolher a todos que, conosco, também querem construir a
fraternidade no mundo.
Depois, fizemos meditação com a saudação que Emmaus fez no encontro de
secretarias de Humanidade Nova, ocorrido em outubro do ano passado. Emmaus nos
impele a olhar os sinais dos tempos e, como consequência, agir, acreditando sempre
que sob cada evento, para além de tudo o que se vê e que nos interpela, que nos
chama a dar uma resposta, há um desígnio de Deus que caminha adiante.
Em seguida, realizamos os encontros por mundos. Para esse momento,
pensamos em uma dinâmica. Assim, tivemos três momentos: primeiro, refletimos
sobre qual era o nosso potencial; depois, escrevemos em um post-it qual era
o “sonho” que tínhamos para o nosso mundo; por fim, a partir da leitura e escolha de
três desses sonhos, qual era o primeiro passo que deveríamos dar, a fim de começar a
viabilizar os nossos sonhos. Esse foi um momento de comunhão profunda, de rever a
nossa caminhada a partir desse projeto de Deus e entender qual era a nova etapa que
se vislumbrava. Houve um envolvimento tão grande que alguns grupos até se
esqueceram do lanche. Nasceram projetos, foram dados passos que assinalaram um
novo momento para HN e deram uma esperança a todos, àqueles que já estão há
tanto tempo nessa caminhada, ou aos que estão apenas iniciando esse percurso
conosco.

Seguem algumas impressões.
Foi um fim de semana maravilhoso, de grande aprendizado tanto espiritual
quanto profissional, onde tivemos uma injeção de ânimo para lidar com as questões do
dia a dia. As experiências relatadas nos dar um vigor para lutar por um mundo mais
fraterno, onde procuremos inundar com o evangelho as estruturas econômicas e
sociais. E que o Espírito Santo nos ilumine para que possamos ser firmes neste
propósito, que sejamos justos e que não caíamos em contradição. Sei que não será
fácil, pois sabemos que o ser humano é complicado, que o egoísmo e a ganância
chegam a gerar atitudes desumanas! Mas tenho fé que é a partir de nossas atitudes
que construiremos um mundo melhor, e assim poder chegar no coração de cada um, e
escrever uma nova história. Agradeço a Deus por mais essa oportunidade, por me
chamar a conhecer e viver esse ideal que acredito e que quero para minha vida.
(Gabriele, Magé-RJ)

Com tantos anos de ideal, posso constatar que somos movidos pela escolha de
Deus que fizemos e que renovamos a cada momento da vida. Esta premissa também
pressupõe que estejamos sempre na mutua e continua caridade. Só assim enfrentamos
os desafios de levar adiante HN. Tenho certeza que esta é a nossa pérola, mas
precisamos atuar no nosso ambiente, e aí se faz necessário também os especialistas,
de modo que as questões sejam vistas e tratadas sob estes dois focos, ou seja, o da
alma, do timbre... e o de como resolver as questões do cotidiano, das injustiças etc...
Avalio que o encontro teve os dois enfoques, com a missa, com a meditação
e com o tema. Depois os diálogos construídos à tarde, para mim foram inéditos, no
sentido que a plateia participou com as perguntas e falas e se analisou também a
condição do homem, com as falas da mesa. Para mim, foi inédito.
O encontro com as pessoas do mundo do vermelho veio neste mesmo
clima. Todos se expressaram, falando e escrevendo, e interessante que com muita
sinceridade. Um trabalhador de estatal, dizia: Não vejo Deus no meu trabalho. Temos
o sindicato, podemos reivindicar, etc... mas...Esta colocação indica que este sujeito tem
sensibilidade, anseia mudar o ambiente, e penso também que conseguiu colocar isto,
fruto da unidade e do clima que existia entre nós.
Eu fico entusiasmado com tudo isso, tenho vontade de entrar de cabeça e
trabalhar sempre mais em HN. (Laudemiro – Piracicaba-SP)

"Estou me sentindo bem mais leve depois do congresso, só em pensar que
existem pessoas unidas na luta pelo um mundo mais humano, justo e unido isso me
deixa muito emocionada, e só depende de cada de nós deixar o egoísmo de lado e
fazermos a nossa parte." (uma aderente – SP)

Era pouco tempo, mas foi um tempo muito bem aproveitado. E, sem dúvida,
aquela mesa-redonda do sábado foi o ponto alto. Acho que, no fundo, no fundo, não é
que a mesa disse coisas tão diferentes do que já sabemos, mas ela disse no formato, na
linguagem com que hoje estamos acostumados... Foi um momento de formação
humana baseada no Ideal. E isso é, pra mim, a grande carência que sinto nos
integrantes da Obra hoje, principalmente nos voluntas, que são a nossa “vanguarda”
no meio do mundo.
Para dar uma ideia do sucesso desse momento, houve gente que chegou pra
mim e disse ter “descoberto” que faz Humanidade Nova no trabalho, onde está todo
dia... Isso, pra mim, parecia óbvio, e a Lucia Fronza reforçou isso no pronunciamento
dela no encontro de janeiro (e olha que eu sabia disso mesmo não tendo ido a essa
encontro). Mas agora sinto que temos de encontrar outras linguagens para passar
essas “descobertas” até mesmo aos nossos internos. A forma como se diz as coisas faz
mudar tudo... Bom, acho que o que me ficou de mais forte e imediato deste fim de
semana é isso. (Airam – Rio de Janeiro-RJ)

Cada realidade apresentada, cada tema, testemunhos, intervalos, colóquios,
foram ocasiões para um enriquecimento pessoal e também comunitário. Ver a Obra
nesse âmbito foi importante. Se sentir H.Nova, individualmente e coletivamente
foi importante, se reavivar juntos foi importante. Não ficar nas ideias, mas pegar o
empenho juntos de passar às ações...de estreitar esse laço como região, foi importante.
Ver os vários mundos empenhados na sociedade...saber que temos uma bomba na
mão e mais do que nunca comprovar que o carisma é para o mundo de hoje e não nos
pertence, é mesmo para essa humanidade... Em suma eu fiquei muito feliz. (Nives)

Agradecemos a unidade construída com cada um de vocês, pois, sem dúvida,
essa presença de Jesus em meio é que possibilitou tudo o que relatamos.

Sempre uno,
Jaque, Flávio, Maria Lúcia, Márcio, Daniel, Renata,
Míriam, Carol, Fátima, Letícia e Samuca



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